Vereador diz que não morava na casa onde a polícia fez operação contra pedofilia; mais de 130 foram presos

Foi a maior operação contra a pedofilia realizada em todo o país, de acordo com o Ministério da Segurança Pública

Mais de 130 pessoas foram presas em flagrante em todo o país pela Operação Luz na Infância 2, deflagrada nesta quinta feira(17) pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública(Mesp), com o apoio das Polícias Civis do Distrito Federal e 24 estados, inclusive a Bahia, onde foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, com dez prisões em flagrante até o começo da tarde. Professores, servidores públicos e até um vereador de Salvador são alvos da operação.

Dos 31 mandados expedidos para serem cumpridos na Bahia, quatro foram em Salvador, um na Ilha de Itaparica e dois em Camaçari. Os demais foram presos pela Polícia Federal, mas os locais não foram informados.

Em Salvador, houve cumprimento de mandados nos bairros de Vila Laura, Imbuí, São Marcos, Pau Miúdo, Canabrava, Pituba, Tancredo Neves, Ondina, Paripe, Liberdade, Nova Brasília de Itapuã, Castelo Branco, Pernambués, Plataforma, Boca do Rio, Barbalho, Fazenda Grande IV e Brotas.

Vereador

Uma das residências foi no bairro do Imbuí, onde o alvo foi o vereador Toinho Carolino, do Podemos. Em entrevista, ele disse que não reside mais no local há quatro meses e deu uma entrevista, por telefone a uma emissora de tv, dizendo desconhecer detalhes da operação, além de informar que o assunto está sendo tratado pelo seu advogado. (Confira a entrevista).

Em todo o Brasil 2,6 mil policiais participaram da ação, que, segundo o ministro Raul Jungmann, é a maior operação para reprimir crimes de abuso e exploração sexual infantojuvenil realizada em um único dia no mundo. Além das prisões, são cumpridos 579 mandados de busca e apreensão de arquivos com conteúdos relacionados a esse tipo de crime.

Segundo o coordenador do Laboratório de Inteligência Cibernética, Alessandro Barreto, as prisões são baseadas em indícios fortes. Segundo ele, o suspeito com a menor quantidade de material ilegal em seu computador armazenava 150 arquivos. “Ninguém baixa 150 arquivos sem querer. Há pessoas com 50 mil, 80 mil. Um dos presos na região Sudeste tinha mais de 700 mil arquivos armazenados”, afirmou Barreto, em coletiva de imprensa no Mesp. Esse último preso é um homem de 26 anos, detido em Uberlândia (MG). Mais de 1 milhão de arquivos foram analisados na fase inicial das investigações, que envolveu 284 cidades do país.

O perfil dos acusados é diverso. Há homens e mulheres e pessoas dos mais variadas profissões — advogados, educadores, profissionais da área de saúde e, inclusive, um servidor público que trabalhava com crianças. “Muitos são pessoas acima de qualquer suspeita. Há gente de 20 e poucos anos e aposentados”, descreveu Barreto. Há ainda reincidentes de outras operações.

Investigação na internet

Os alvos foram identificados pela Diretoria de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Dint/Senasp/MESP), com base em indícios de crimes investigados virtualmente. As várias delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente e de Repressão a Crimes Informáticos trabalharam durante dois meses na instauração de inquéritos e na solicitação de expedição dos mandados aos juízes locais.

Apenas os estados do Rio Grande do Norte e do Paraná não participaram da ação, por falta de tempo hábil para a expedição de mandados de busca e apreensão. “Mas em novas fases da operação, eles estarão como parceiros”, afirmou o diretor de Inteligência, Carlos Afonso Gonçalves Coelho.

Jungmann comemorou a ação coordenada a partir da coleta de dados do Mesp. “Temos, pela primeira vez na nossa história, um sistema que vem produzindo estatística, dados, informações, possibilitando, inclusive, o desenvolvimento de um Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa”, afirmou o ministro, que elogiou a decisão do Senado Federal em aprovar, na quarta-feira (16/5), o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que integra as polícias.

Primeira edição

A primeira vez que a Polícia deflagrou a Operação Luz na Infância foi em 20 de outubro de 2017. Na época, foram cumpridos 157 mandados de busca e apreensão em computadores. Ao todo, foram presas 112 pessoas que utilizavam esses equipamentos para produzir, guardar ou compartilhar conteúdos de pedofilia na internet. A investigação durou seis meses. O nome Luz na Infância foi escolhido porque os investigadores consideram que os crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes são cometidos de forma velada, nas “sombras” da internet.

Podemos

O partido Podemos, divulgou nota prestando solidariedade ao vereador Toinho Carolino, seu filiado, chamado de “destaque no partido” e onde “tem atuação em defesa da família”. Veja a íntegra da nota:

A direção do Podemos na Bahia presta total solidariedade ao vereador Toinho Carolino, um quadro de destaque no partido, onde tem atuação em defesa da família, que infelizmente teve o nome envolvido em uma investigação policial de violência contra crianças, nesta quinta-feira (17).
O Podemos quer uma investigação rigorosa do caso, já que o vereador não reconhece o endereço alvo da operação e, como a própria polícia admitiu à imprensa, o crime deve ter sido praticado por terceiros. A biografia de luta e trabalho de Carolino não será atingida por um ato que ele não cometeu. O partido acredita nas palavras do vereador e torce para que o mal entendido seja esclarecido o mais rápido possível.
Deputado federal Bacelar
Presidente do Podemos/ Bahia

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UM COMENTÁRIO

*