TV Bahia diz que não muda nada depois da manifestação que ocupou sede da emissora esta manhã, em Salvador

Grupo de manifestantes chegou à retransmissora da Globo na Bahia antes das 6h da manhã e saiu por volta da 10h

Manifestantes chegaram cedo à sede da emissora e ficaram na área do estacionamento dos diretores, ocupando a escadaria que dá acesso a vários setores da TV Bahia(Foto: Reprodução)

Terminou por volta das 10 horas da manhã desta terça-feira(17), a ocupação de uma área interna da TV Bahia, no bairro da Federação, em Salvador. A ação foi comandada por cerca de cem pessoas ligadas ao Movimento dos Sem Teto(MST), além de outros grupos que portavam cartazes, faixas e bandeiras políticas, protestando contra a linha editorial da emissora, filiada à Rede Globo. Em entrevista ao #AgoraNaBahia, a direção da emissora diz que sabia, antecipadamente, do protesto e não reforçou a segurança.(Veja o vídeo da invasão).

Localizada na rua Aristides Novis, antiga Estrada de São Lázaro, no bairro da Federação, a emissora teve o estacionamento interno, reservado aos diretores ocupado pouco depois das 5h da manhã. No momento em que dois ônibus chegaram ao local e pararam diante da empresa, três seguranças estavam presentes, mas não reagiram, permitindo que os manifestantes passassem para a parte interna do portão principal, mesmo local por onde entram carros emotos.

Em vez de entrar no complexo de prédios onde estão abrigadas a TV Bahia, Correio da Bahia, Rádios Globo, Bahia FM e Jovem Pan FM, Portais G1 e Ibahia, Construtora Santa Helena, além de outras empresas do grupo, os manifestantes preferiram ficar em frente à porta de acesso à sala dos diretores, mesmo local por onde transitam funcionários que chegam à pé e vão para os diversos setores da empresa.

Enquanto eles entravam, moradores de um prédio vizinho eram despertados pelos gritos e músicas cantadas pelos manifestantes. Nas imagens feitas por um desses moradores, postadas em rede social, é possível ver que, no momento da manifestação, carros e motos seguem entrando normalmente em direção ao estacionamento principal da empresa, que fica na parte dos fundos.

Por volta das 10 horas, os sindicalistas voltaram para os ônibus e encerraram a manifestação. “Agora vamos conversar para decidirmos os próximos passos”, afirmou o  presidente da Central Única dos Trabalhadores da Bahia(CUT-BA) dizendo que a escolha da afiliada da TV Globo no estado para realização do protesto, fez parte  de “um dia nacional de mobilização em defesa da comunicação livre e democrática. Escolhemos a Rede Globo, por ser um canal que tem propagado muitas mentiras diariamente”.

Não muda nada

O #AgoraNaBahia ouviu o presidente da Rede Bahia, Antônio Carlos Magalhães Júnior, logo após a saída do grupo da sede da empresa. Ele interrompeu a participação em uma reunião para conversar com a reportagem do #AnB e disse que já sabia desse protesto realizado em outras emissoras afiliadas da Globo em diversos estados do Brasil. “A gente já sabia, mas não tinha conhecimento apenas do horário em que eles chegariam, mas tudo estava anunciado e era do nosso conhecimento”, disse o empresário, ressaltando que esta “não é uma manifestação contra a TV Bahia e sim, nacional, contra a Globo”.

ACM Jr, como é conhecido no meio empresarial, disse que não houve nenhum tumulto e que não houve reforço na segurança da emissora, mesmo com a informação sobre a manifestação tendo chegado ao conhecimento dele com antecedência.

Perguntado sobre como ele encara esse tipo de manifestação que culpa a Rede Globo pela divulgação de fatos que o MST e alguns sindicatos e representantes de trabalhadores consideram terem contribuído para o afastamento de Dilma Roussef e a prisão do ex-presidente Lula, ACM Jr. disse: “Eu não sou contrário a nenhuma manifestação política ou de qualquer outra natureza, desde que não incomode ou impeça a movimentação de outras pessoas. Quando os manifestantes incomodam, fecham as ruas, aí eu sou contra. Quando estão fazendo o movimento sem impedir o direito de ir e vir, eu sou a favor”, disse o empresário.

Questionado se, em razão das mobilizações e acusações de manipulação de notícias e por conta dessas manifestações a emissora iria repensar a linha editoral, ele disparou: “Nenhuma emissora vai mudar a linha editorial por causa disso”.

 

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