Termina julgamento da justiça desportiva sobre envolvidos na confusão do BAVI; veja as penas aplicadas

Julgamento ocorreu em clima de tensão, mas todos conseguiram acompanhar depoimentos e decisões dos juízes do TJD

Depois de cerca de quatro horas de julgamento, o Tribunal de Justiça Desportiva, da Federação Baiana de Futebol, decidiu pela punição aos envolvidos no BaVi realizado no estádio Manoel Barradas e que não chegou ao fim depois de expulsões que não permitiram a sequência do jogo até o fim. Kanu teve a maior pena, com dez jogos de suspensão em jogos do Campeonato Baiano ou promovidos pela FBF. O Vitória não será rebaixado, mas perde os três pontos do jogo e ainda terá que pagar multa de R$ 100 mil.

Denílson, Rhayner e Yago, do Vitória; e Edson e Rodrigo Becão, do Bahia foram punidos com oito jogos de suspensão. Vinícius pegou pena de duas partidas de suspensão. Já Lucas Fonseca e Fernando Miguel foram os únicos absolvidos e estão livres para atuar. Mancini, técnico do Vitória, também não sofreu qualquer punição, o mesmo acontecendo com o supervisor Mário Silva.

Os clubes podem recorrer das decisões e, se isso ocorrer, eles podem atuar na próxima rodada até que haja julgamento do pleno do TJD, de pedido de efeito suspensivo, a forma indicada para esse tipo de defesa.

O julgamento desta terça-feira(27) foi marcado por clima de tensão por causa da presença de torcedores do Vitória que desde cedo foram à Praça Castro Alves e ficaram diante do Palácio dos Desportos, numa tentativa de pressionar o TJD contra possíveis punições ao rubro-negro.

O Vitória não mandou nenhum jogador, pois o time está com as atenções voltadas para o jogo contra o Bragantino, pela Copa do Brasil, nesta quarta-feira(28), mas o técnico Mancini esteve presente, ao lado do supervisor Mário Silva, também julgado. a defesa do Vitória foi feita por dois advogados.

Veja o resumo do que foi dito nos depoimentos:

Vagner Mancini, técnico do Vitória

“Jamais faria isso com um menino de 21 anos. O que aconteceu, o que tenho visto pelas imagens, no momento faço sinal para o Fernando e ele cai. Falo com Ramon sobre tempo de jogo e a necessidade do Fernando ganhar tempo na partida. Tinha três substituições. O Ramon vai até ele e conversa com ele. Fernando levanta na hora. Era para ganhar tempo inteligentemente. O diálogo entre eu e Ramon é este. Tudo o que está sendo mostrado não condiz com a verdade. Eu, com três substituições, não seria mais fácil chamar um dos meus atletas reservas e pedir para eles serem expulsos?”.

Mário Silva, supervisor do Vitória

“Tenho 48 anos de futebol, tenho responsabilidade de tratar com respeito todos, inclusive meu clube. Preparo as informações para o jurídico. Não tenho direito de desconhecer a lei. Jamais cometeria uma insanidade dessas. Tenho 61 anos. Trato com papéis e documentos há 30 anos. Na cabine que eu estava, do lado estava o presidente da FBF. Como faria isso?”.

Ruy João, procurador geral TJD

“Precisamos observar os princípios que regem o desporto, a integridade do campeonato. Não podemos fazer isso sem observar a conduta do Vitória, que é deplorável. Nossos filhos viram essa agressão e ao mesmo tempo viram o Vitória patrocinar uma campanha em que apoia a violência. Não podemos concordar com isso”. Uma pena está prevista no CBJD e outra está na FIFA. Portanto, a desclassificação está no CBJD e o rebaixamento na regra disciplinar da FIFA. A homologação do placar 3 a 0 não é uma punição para o Vitória. É apenas o cumprimento da regra. Não se confunda com perda de pontos, não é.
Nesta tribuna, ao responder minha pergunta, o técnico do Vitória disse que o resultado favorecia ao Vitória. Ele confessou que a intenção de impedir o prosseguimento do jogo partiu dele. O resultado favorecia a ele”.

Milton Jordão, advogado do Bahia

“São impróprias as acusações feitas. Primeiro ao Lucas Fonseca. Ele foi o último a ser expulso, após a chegada do quarto árbitro. O Bahia mostrou em registros cinematográficos que não há conduta antidesportiva de Lucas. Ele teve postura exemplar. Impediu o prosseguimento da briga. Ele paga pelo passado. Quanto ao Rodrigo Becão, não há provas concretas. A súmula tem presunção relativa. O vídeo é cabal em demonstrar que Becão não logrou êxito em qualquer tipo de agressão. O Bahia age com coerência. Requer desclassificação para ato hostil. Em relação a Edson, ele se lança para atingir o atleta. Ele não negou. Ele disse que foi para separar e foi atingido covardemente por Rhayner, que dá o soco e sai correndo. Não sei se para fugir de Edson ou para fugir do cartão. Edson agrediu Bryan. Bateu em Bryan por achar que ele fosse seu agressor. Não justifica a conduta. Mas querer transformar a comemoração e ação de Edson em estopim para bater em um atleta seguro, não posso aceitar”.
Vinícius teve uma provocação nas redes sociais e respondeu. O perfil, que também não é de bom gosto, levou em uma boa a brincadeira. Todo esse cenário existiu. Vinícius faz uma postagem direcionada ao perfil. Vocês podem não gostar da dança de Vinícius. Mas desde a década de 1990 se dança o créu nos estádios. Ele nem se importava com o Vitória. Se importava com o Bahia. Em virar a partida. Agora se pega esse mote, essa confusão, e jogam no colo do rapaz. Não dá para aceitar. Kanu foi tornado anjo aqui, não fez nada. Ele iniciou a série de agressões. As cenas que vimos contradiz o discurso de que foi Edson. Não se pode jogar para baixo do tapete. Quem iniciou foi Kanu”.

Edson, meia do Bahia

“O Vinicius estava comemorando ai o Kanu veio e agrediu primeiro. Eu fui tentar apartar e recebi um soco do Rhayner. Eu fiquei meio tonto e cabei agredindo o Bryan, que estava na minha frente. Eu até pedi desculpas, pois achei que o Bryan tinha me agredido, mas foi o Rhayner”.

Vinícius, meia do Bahia

“Muitos sabem que tenho minha comemoração, minha dancinha. Fui fazer ela. Corri para ver a câmera. Parei para fazer a dança. Primeiro vi os repórteres. Depois que vi a câmera e corri na direção para dizer que ‘eu sou pica’, que no linguajar do futebol é dizer ‘sou foda’. “Senti o empurrão, achei que era alguém do meu time. O Fernando Miguel nem viu minha dança”.

Patrícia Sá Leão, advogada do Vitória

“O que vimos aqui foi o comentário de uma pessoa que narrava a partida. Esse tempo todo que trabalho no STJD, os vídeos são apresentados sem áudio para não influenciar os julgadores. Goleiro pode fazer cera para que a equipe ganhe tempo e mantenha o placar. Naquelas condições, depois da confusão, o placar de 1 a 1 era favorável ao Vitória. Não há provas de que Bruno Bispo foi orientado de forçar o segundo amarelo e consequentemente encerrar a partida. Diante da rivalidade de Vitória e Bahia, o Vitória iria encerrar a partida para beneficiar o Bahia? Isso está em regulamento. O treinador conhecia isso. Mário Silva também. Temos uma norma prevista que seria o 205. Não seria preciso aplicar o Artigo 69 do Código Disciplinar da FIFA. Não podemos concordar com isso. Não tem prova cabal que isso ocorreu. Não há prova que Mancini passou a orientação para o atleta. Quando Ramon sai, ele passa perto, mas não se comunica com Bruno. Não temos outro pedido, senão a absolvição”.

Manoel Machado, advogado do Vitória

“O árbitro estava presente no lance, é autoridade maior da partida, entendeu que Bruno Bispo estava retardando o reinício da partida propositalmente. E com razão. Mancini confirmou que se o time está em vantagem, o time tenta retardar a partida. O que Bruno fez foi isso. Kanu fez um revide. Primeiro foi agredido pelo Edson. É primário. Então sendo primário não tem como se aplicar a pena máxima. No calor da partida, Kanu teria dito que iria pegar o adversário. Mas as imagens não mostram isso, o relatório do árbitro também é omisso. A defesa espera em relação à Kanu que seja considerada como réu primário e seja aplicada a pena mínima. Denílson, Rhayner e Yago houve troca de hostilidade. Não houve agressão física grave. A defesa pede para desclassificação para atos de hostilidade. Fernando Miguel vimos na imagem que ele não agrediu Vinícius em momento nenhum. Muito pelo contrário. Ele tentou proteger.

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