Shopping da Bahia afasta segurança que impediu cliente de pagar almoço para criança negra

Alimentação só foi fornecida depois da reação do cliente e da interferência do supervisor de vigilância

Após uma ampla repercussão negativa em redes sociais e em todos os veículos de comunicação da Bahia e até de outros estados, a direção do Shopping da Bahia resolveu emitir nova nota sobre a ação de um funcionário que resolveu impedir que uma criança negra fosse beneficiada com um almoço pago por um cliente na sua praça de alimentação. O episódio ocorreu na segunda-feira(11) e as imagens da reação do segurança, viralizaram nas redes sociais.(Assista)
Na nota, a direção do shopping diz que o funcionário, lotado na segurança, foi afastado das atividades e vai ser submetido  a uma “rodada de cursos e capacitações”. Além disso, o shopping diz que o profissional recebeu advertência.
O episódio acabou provocando enorme discussão em diversos grupos, com muitos considerando a atitude “racista e discriminatória”. Muitos comentários atribuíram a culpa de tudo ao shopping, entendendo que o vigilante seguia uma orientação dos superiores. Desde a primeira nota em que pediu desculpas pela ocorrência, o Shopping da Bahia informa que esta prática é contrária às suas orientações.
A nota foi divulgada pelo shopping, logo depois que o Ministério Público da Bahia anunciou pela imprensa, a abertura de uma investigação que para apurar a responsabilidade da entidade por “racismo institucional”. Durante a investigação através de inquérito civil, o MP vai tentar enquadrar o caso no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Veja, na íntegra, o que diz a nota divulgada no fim da tarde desta terça-feira(12):

O Shopping da Bahia vem a público, mais uma vez, pedir desculpas pelo ocorrido. Após uma reunião nesta terça-feira, o empreendimento decidiu pelo afastamento do profissional de atividades relacionadas a atendimento ao público. Mesmo não tendo nenhuma orientação do Shopping que suporte as ações tomadas pelo profissional, optamos por trabalhar a sua reabilitação. Além disso, ele foi advertido e segue para uma nova rodada de cursos e capacitações. 
Reforçamos também que, neste momento, é necessário esclarecer diversos pontos que vem sendo abordados em torno do fato.
1 – Nossos seguranças recebem treinamentos periódicos, não apenas com conteúdo técnico, mas também conteúdo sobre o contexto social que vivemos. Em 2017, toda a equipe do empreendimento recebeu treinamento de autoridades nacionais em temas como racismo, diversidade e enfrentamento de temas de alta relevância para nossa operação. Entre os especialistas que estiveram com a nossa equipe, estão lideranças como o professor Hélio Santos, presidente do Instituto
Brasileiro da Diversidade, e a vice-presidente do Fórum Nacional de Gestores LGBT, Bruna Lorrane. 
2 – Não há e nem nunca houve nenhuma orientação para uma abordagem que fosse além de coibir ações de comércio informal e de pessoas (crianças e adultos) que tentam abordar clientes com pedidos de dinheiro, alimentos ou produtos. A decisão do cliente é soberana e tem que ser respeitada, sem nenhuma ação violenta ou que gere constrangimento. Atuamos em parceria diária com órgãos como Conselho Tutelar, Juizado de Menores, Instituto IRIS, Polícias Civil e Militar, e a orientação é sempre pelo cumprimento da lei e respeito aos direitos humanos;
3 – O shopping repudia qualquer acusação de racismo institucional, e temos orgulho da nossa relação com o povo de Salvador, suas matrizes culturais, étnicas e sociais.
Encerramos, pedindo mais uma vez, desculpas e lamentando o ocorrido. As desculpas são direcionadas a todos os que se sentirem tristes e ofendidos com o fato, mas especialmente aos envolvidos e suas famílias.

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