Profissionais discutem necessidade de exames preventivos em alunos de academia

Morte de uma jovem, durante atividade física em uma academia, retoma a discussão

A morte de uma jovem de 23 anos, Jéssica Avelino, enquanto fazia atividade física em uma academia de Salvador, na noite da terça-feira (27), coloca em discussão, mais uma vez, várias situações que normalmente são deixadas em segundo plano por quem busca melhor condicionamento ou apenas quer cuidar do corpo para deixá-lo de acordo com padrões que hoje são vistos como “ideais” por grande parte da sociedade.

O corpo de Jéssica foi levado para o Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, desde a noite em que ela morreu em um posto de saúde do bairro de Tancredo Neves, logo após passar mal na academia onde malhava. O laudo com as causas da morte ainda não foram divulgados, o que irá esclarecer o que ocorreu com a jovem, que, de acordo com os colegas que malhavam com ela, teve um desmaio durante um determinado exercício, caiu, foi socorrida mas ao chegar ao posto de saúde, havia despertado e chegou a conversar. A seguir, passou a ter outras paradas respiratórias.

exameO #AgoraNaBahia foi em busca de informações sobre os riscos do exercício físico em pessoas que enfrentam problemas de saúde e que insistem em fazer esforços sem o devido acompanhamento por especialistas, o que, de acordo com todos os estudos, é uma atitude arriscada, podendo levar a situações extremas na saúde, inclusive ao óbito.

Uma prática que não é rara em algumas academias é a falta de exigência de exame médico para alunos que chegam à academia ou para aqueles que permanecem em treinamento durante longo tempo. Na opinião de especialistas, este é um fator indispensável para que haja acompanhamento e evite o aumento do risco.

“O programa de exercícios físicos deve ser personalizado, tendo como base a idade, o sexo e o nível de condicionamento da pessoa”. É o que diz a Sociedade Brasileira de Cardiologia, ressaltando que o exame médico é fundamental antes de qualquer pessoa iniciar um programa de atividade física, principalmente as mais sedentárias. Desta, ainda, que a regularidade e intensidade adequadas são componentes fundamentais para se dosar o exercício à níveis saudáveis.

Ainda sobre Jéssica: a jovem tinha se afastado da academia e passado cerca de 30 dias sem fazer exercícios recentemente, de acordo com uma funcionária. Ela avisou sobre a volta, dizendo que tinha concluído exames médicos, mas não apresentou nenhum atestado de liberação, também segundo a funcionária. Ainda assim, seguiu o treinamento.

O professor Ednilton Rocha Mota, que tem 22 anos de experiência e é de uma família de professores de educação física, concorda que a vontade de ficar bem fisicamente tem que estar diretamente aliada à boa condição do coração. “É imprescindível ter conhecimento da situação cardiológica do aluno. Aquele que chega a uma academia tem que apresentar esses exames e ainda ser acompanhado de perto pelos professores, pois só assim o resultado vai ser positivo em todos os aspectos”, diz o profissional.

estaUma personal trainer que prefere não ter o nome divulgado, também conversou com o #AnB e disse que essa questão da exigência do exame nem sempre é cumprida por algumas academia, o que acarreta um sério risco. Ela aponta esse descuido à concorrência e ao desejo de muitos em ter resultados imediatos, “independente da situação do coração”.

“Há casos em que o instrutor pergunta se o aluno fez exame, se está bem logo ao fazer a matrícula e ele diz que sim, mas nunca apresenta esse resultado. As academias erram por não exigirem que esse resultado seja apresentado antes do começo da atividade”, opina.

A educadora não fala em nomes de academias, mas diz que em muitos casos, estagiários atuam em maior número que os profissionais já formados, o que dificulta o nível de controle sobre as boas práticas. “Tem sido muito comum entrar em uma academia e três ou quatro
estagiários estarem orientando alunos, sob supervisão de um único professor, já diplomado”, denuncia. E diz que “muitos alunos nem sabem disso e tratam todos de forma igual, buscando orientações que nem sempre estão de acordo com a capacidade que cada um tempo para a prática”.

De acordo com o que o #AnB apurou, a academia onde Jéssica malhava funciona seguindo as exigências legais, com professores habilitados. A falta de apresentação de liberação médica, não seria motivo para ser impedida, legalmente, de seguir o treinamento, pois não existe lei em vigor sobre o caso, aqui em Salvador. O assunto está sendo tratado na Câmara de Vereadores, onde há um projeto do vereador Teo Senna, que também é formado em Educação Física.

O #AnB prefere aguardar o resultado do laudo que vai ser expedido pelos médicos do IML sobre a verdadeira causa da morte de Jéssica, ainda que os pais dela tenha declarado, em entrevsita à tv, que a mesma foi flagrada fazendo uso de anabolizantes, chegando a pedir desculpas por não seguir o conselho dos pais para evitar essa prática. Mas até que o laudo seja expedido, nada pode indicar que esta tenha sido a causa da morte da jovem.

coraçãoExames 

Os especialistas lembram que embora uma avaliação médica pré-participação seja fundamental, a impossibilidade de acesso a ela não deve impedir a adoção de um estilo de vida ativo. As alternativas de avaliação vão desde simples questionários até exames sofisticados. Os principais objetivos do exame clínico são: a identificação de doenças pregressas e atuais, a avaliação do estado nutricional, do uso de medicamentos, das limitações músculo-esqueléticas e do nível atual de AF.

Dentre os exames complementares, o mais importante é o teste ergométrico, cujos objetivos são: determinação da tolerância ao esforço e detecção de isquemia miocárdica induzida pelo esforço. No caso do teste ergométrico no idoso, ainda que assintomático e sem fatores de risco, é que a partir dos 55 anos o risco de doença arterial coronariana(DAC) excede 10%, conferindo grande valor diagnóstico ao teste, ou seja, um resultado normal reduz esse risco para 2%, enquanto um resultado alterado o eleva para 90%.

academia procoração.com.brA realização do teste ergométrico pode incluir medidas da ventilação pulmonar e dos gases expirados (ergoespirometria), que permite a medida direta do consumo máximo de oxigênio, a determinação do limiar anaeróbico e melhor identificação da causa de intolerância ao esforço.

SEM COMENTÁRIOS