Prisão de inglês pode mudar a vida de dois velejadores baianos condenados por tráfico internacional de drogas

Baianos foram condenados em Cabo Verde, acusados de transportar uma tonelada de cocaína em um veleiro que saiu do Brasil

A prisão de George Saul, cidadão britânico, pode começar a esclarecer o que, de fato, aconteceu com o veleiro em que estavam Rodrigo Dantas, 25 anos, baiano, estudante de engenharia mecânica; Daniel Dantas, 43 anos, baiano, corretor de imóveis; Daniel Guerra, 36 anos, gaúcho, formado em relações interacionais, que acabaram condenados a dez anos de prisão pela justiça de Cabo Verde, por suposto tráfico internacional de drogas.

A prisão do inglês foi informada pela assessoria de imprensa da Polícia Federal da Bahia na noite desta sexta-feira(15) e ocorreu na Espanha. De acordo com a PF, a polícia espanhola atendeu a um pedido formado através da justiça brasileira, pois o cidadão inglês é indiciado por tráfico internacional de drogas.

A investigação foi iniciada em 2017, com objetivo de apurar as circunstâncias em que um veleiro de bandeira inglesa, que foi apreendido em Cabo Verde em agosto daquele ano, teria embarcado mais de uma tonelada de cocaína em solo brasileiro. A apreensão da droga provocou a prisão de velejadores brasileiros que faziam parte da tripulação do Rich Harvest, nome do barco que continha a droga.

Com base na apuraçao da Polícia Federal foram expedidos mandados de prisão preventiva pela Justiça Federal, com a respectiva difusão vermelha pela Interpol, o que permitiu a realização da prisão do inglês. Segundo a PF, já foi declarado o interesse na extradição do preso e que, com essa medida, pode ser possível esclarecer pontos da investigação e trazer à responsabilidade perante a justiça brasileira o referido estrangeiro.

O caso

Os três velejadores – Rodrigo Dantas, Daniel Dantas e Daniel Guerra foram condenados a 10 anos de prisão por tráfico internacional de drogas, pela justiça de Cabo Verde, na África. Eles estão presos desde agosto de 2017, após a polícia apreender uma tonelada de cocaína em uma embarcação onde eles seguiam de Natal para a Ilha da Madeira, em Portugal. Um francês, que era capitão do barco, também foi condenado.

Os quatro alegam que foram enganados pelo dono da embarcação e que não sabiam do carregamento. Mas a dificuldade em conseguir provas estava na fuga do inglês, dono das drogas, agora preso.

Em março, um tribunal de Cabo Verde fez a condenação do grupo, que seguiu alegando inocência e afirmando que a embarcação passou por todos os procedimentos de fiscalização feitos pela Polícia Federal, confirmando que não havia nenhuma carga de cocaína quando deixou o Brasil. Mas o juiz Antero Tavares entendeu que ficou comprovado que os quatro cometeram o crime de tráfico internacional de drogas.

A defesa alega que os velejadores não sabiam que a carga estava escondida em um compartimento sob o casco do barco. Após a apreensão, a Polícia Federal da Bahia apurou que eles teriam embarcado depois da droga ter sido escondida e que eles não teriam envolvimento no crime. No entanto, o Ministério Público em Cabo Verde entendeu que as investigações da polícia brasileira não comprovaram que os presos não sabiam da carga. Um dos argumentos da promotoria é que ninguém confiaria uma tonelada de cocaína para uma tripulação que não soubesse da existência do carregamento.

Durante o julgamento o juiz, os advogados e o Ministério Público chegaram a fazer uma visita ao veleiro onde foi feita a apreensão da droga. Eles foram acompanhados por dois peritos para identificar se a droga realmente estava em um local de difícil acesso. O carregamento estava escondido atrás de tanques de fibra, sob o casco do navio.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UM COMENTÁRIO

*