Pastores no banco dos réus: após 16 anos, STJ manda fazer júri popular no caso Lucas Terra

Decisão já está publicada no Diário da Justiça, mas julgamento ainda não tem data

Galiza, abaixo, de paletó, está em liberdade. Fernando(gravata vermelha) e Joel esperam, também em liberdade, o julgamento(Foto: Reprodução)

Os ex-pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, Joel Miranda e Fernando Aparecido da Silva, vão a júri popular por determinação do Superior Tribunal de Justiça(STJ), publicada no Diário Oficial da Justiça nesta quarta-feira(5). Os dois são acusados de matar o adolescente Lucas Terra, em 2001, crime que teve ampla repercussão pelos detalhes descobertos pela polícia que revelaram requintes de perversidade praticados pelos criminosos. Foram 16 anos de espera pela decisão, com todos os trâmites permitidos pela legislação brasileira.

A primeira decisão de levar os dois acusados a júri popular foi tomada em 2015 pelo Tribunal de Justiça da Bahia(TJBA), mas os advogados dos pastores recorreram e o caso acabou em mãos do ministro Felix Fischer, do STJ, que manteve a o que foi decidido pelos desembargadores baianos. O TJBA vai definir, ainda, a data para o julgamento.

O crime teve envolvimento de um terceiro pastor, que também trabalhava na Igreja Universal: Silvio Roberto Galiza que inicialmente foi condenado a 18 anos de prisão e a seguir teve a pena reduzida a 15, porém, desde 2012 está livre das grades pois cumpre a pena em regime aberto.

O crime

O adolescente Lucas Terra, na época com 14 anos, morreu por ter visto uma relação sexual entre os pastores Fernando e Joel, em março de 2001, dentro de um templo da IURD, no bairro do Rio Vermelho, frequentada por Lucas e família. Essa informação é do Ministério Público, através do promotor Davi Gallo que acompanha o caso desde o começo. “Lucas e Fernando moravam no Rio de Janeiro e frequentavam a mesma igreja lá. Lucas veio para Salvador com a família e passou a frequentar a igreja no Rio Vermelho. Depois Fernando veio para Salvador também”, revelou Gallo.

Segundo a polícia, Lucas foi abusado sexualmente, depois morto e, na tentativa de ocultar o crime e dificultar as investigações, os pastores queimaram o corpo de Lucas que foi colocado dentro de um caixote, em um terreno na Avenida Vasco da Gama, em Salvador.

A família de Lucas começou a procurar pelo adolescente, anunciou o seu desaparecimento e, em momento algum, desconfiou que ele teria sido vítima de um crime tão brutal, planejado dentro do templo da igreja onde gostava de frequentar e fazia as suas preces.

Mas, reforçando a tese de que não existe crime perfeito, os pastores cometeram algumas falhas fundamentais para a descoberta de tudo. Logo que o corpo foi localizado, a polícia encontrou, dentro do caixote, partes de uma publicação feita pela Igreja Universal, que, por descuido dos criminosos, acabou como primeira prova.

E ao aprofundarem as investigações, descobriram que o corpo deixado queimado na Avenida Vasco da Gama, tinha pedaços de uma cortina que a polícia identificou pertencer ao templo da IURD do Rio Vermelho. A notícia do desaparecimento de Lucas que frequentava o local, foi logo relacionada e o crime desvendado.

Daí por diante, os investigadores só tiveram o trabalho de ouvir testemunhas e saber quais foram os últimos contatos feitos pela vítima dentro da igreja, o que fez a polícia chegar aos três nomes.

Protestos

Ao longo de todo o tempo em que ficaram aguardando uma decisão final da justiça, Carlos Terra, abriu uma grande campanha para a condenação dos criminosos. Incansável, Carlos era visto em vários momentos circulando pelas ruas de Salvador com faixas e cartazes clamando por justiça.

Os próprios frequentadores e dirigentes da IURD ficaram indignados com o crime e com a repercussão da participação dos seus integrantes na ação que teve desfecho trágico. Em pouco tempo foi anunciado o desligamento dos acusados da instituição.

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