Há muito tempo quero falar sobre o assunto e, aproveitando que estamos nessa época em que a reflexão aflora, achei interessante, respeitando a opinião dos demais. Falo em relação aos números que os nossos políticos têm amplo interesse em publicar e acabam encontrando muita facilidade para abusar e abusar da nossa inércia.

Assisti, pela TV, um secretário de Vera Cruz informar que a população local sai de 50 mil para 350 mil pessoas nesse período. E perguntei: todo mundo em casas de veraneio? Em que hoteis? Ou ficam na areia da praia?

Sobre Salvador, ouvi entrevista do excelentíssimo senhor prefeito municipal afirmar que estão aqui 700 mil turistas para a passagem de ano. E fiquei perguntando: como chegaram? Quantos aviões foram usados? Os navios chegam e saem com, no máximo, 4 mil cada. De carro? E em que hoteis ficam? Temos leitos para abrigar tanta gente? Seguramente, NÃO!

Mais adiante, no mesmo programa e usando a inércia do repórter, editor, apresentador, de todo mundo, enfim, um secretário municipal diz que 700 mil pessoas são esperadas na Arena Daniela Mercury neste fim de ano. Vi, também, a prefeitura divulgar que já passaram por lá cerca de 1,5 mil pessoas – 250 na sexta, 300 no sábado e 600 no domingo. Quanta inocência essa nossa.

Alguém contou e a prefeitura divulgou que ônibus, táxis e mototáxis transportaram 189,5 mil passageiros apenas no domingo. Como é que alguém pode contar isso? Alguém informa? Transporte em ônibus, pode até ter base, mas táxi…. mototáxi…Jesus!
Devagar, pessoal: a maior cidade do interior baiano, tem cerca de 700 mil habitantes. Já pensaram trazer Feira inteirinha para a Boca do Rio, dentro de um abiente que deve suportar, no máximo 30 mil? Imagine que temos cerca de 3 milhões de habitantes em Salvador. Esses 700 mil, seriam em torno de 1/4 da população da capital. É meio absurda essa conta.

Tudo isso é como imaginar 2 milhões de pessoas em Copacabana, número divulgado com ênfase pelo governo carioca e que entra goela abaixo da imprensa que arrota esses números com plena ênfase. Não é diferente de Salvador, quando costumamos dizer que 2 milhões de foliões estão nas ruas.

Não é o caso de desvalorizar a festa, mas de colocar a verdade e evitar exageros e notícias que não têm nenhum sentido quando falam de números. Espero que 2019 chegue com nós, jornalistas, mais questionadores e com muitas pulgas atrás das orelhas.

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