Julgamento de Kátia Vargas é suspenso e recomeço está marcado para esta quarta-feira

O julgamento da médica oftalmologista Kátia Vargas acusada de perseguir e provocar o acidente que matou os irmãos Emanuele Gomes Dias e Emanuel Gomes Dias, de 22 e 23 anos, depois de uma discussão de trânsito em outubro de 2013, no bairro de Ondina, foi suspenso por volta das 22h30 desta terça-feira(5) e será retomado amanhã, a partir das
8h, no Fórum Rui Barbosa. O júri popular, que foi iniciado por volta das 9h30, ouviu cinco testemunhas de acusação e cinco de defesa.

O julgamento teve momentos de tensão, especialmente quando a acusação contestou a presença do perito Alberi Espindula como testemunha de defesa de Kátia, mas a juíza Gelzi Souza validou a permanência dele. “O perito contratado pela defesa não pode induzir a sua parcialidade até porque em processo penal qualquer pessoa pode ser testemunha, inclusive parentes da vítima que são ouvidas sob compromisso sendo as exceções as previstas no artigo 206 do Código de Processo Penal, que inclui apenas os parentes do acusado. Em segundo lugar, acomodamos o entendimento que a parte pode arrolar especialistas para que deponham e falem sobre conteúdo é laudo pericial e não se tratando de perito oficial, é tratado como testemunha”, disse a juíza.

Veja o resumo do que disseram as testemunhas de acusação:

“Quando aconteceu esse fato pude presenciar o momento em que a moto lançou os passageiros em direção ao poste. Eles se chocaram ao poste. Me dirigi até as vítimas para ver o que podia fazer ou ajudar. Quando cheguei as vítimas não respiravam”. (Felipe Martins).

“A moto estava em velocidade razoável. O que chamou minha atenção foi o barulho alto de motor do carro. Foi muito rápido e o carro veio desenvolvendo uma velocidade muito rápida. Sabe quando um leão vem correndo pegar a presa? Foi a impressão que eu tive. Ela chegou no fundo, o carro balançou um pouco e ela jogou para a esquerda e pareou. No que pareou, encostou de vez” (Denilson Silva)

“A frente do carro, lado direito, bateu no fundo da moto, e depois a lateral arremessou a moto contra o poste. Foram dois toques sequenciais e bem rápidos”, afirma a testemunha que estava atrás do carro da médica. “Quando eu desci do meu carro, vi que o pescoço do rapaz estava com bastante sangue. Peguei no pulso da jovem e ela começou a tremer. Pedi
ajuda a uma pessoa, que retirou a moto de cima [das vítimas]. Mas a gente viu que não podia fazer nada”. (Arivaldo Lima).

“Eu estava vindo no sentido Barra quando presenciei um carro branco e uma moto numa discussão. Eu estava na rua paralela (da escola Dorilândia). O carro estava sentido apart hotel e a moto como se estivesse ao lado do carona. Tinham duas pessoas na moto. Eu vi que quem estava pilotando teve um conflito com a motorista”. (Maria Antônia Souza)

“Eu estava participando de uma caminhada e estava no meu trajeto de retorno, quando ali perto do Salvador Praia Hotel passou por mim um veículo branco, para na sinaleira como se fosse fazer uma conversão à esquerda. Passa uma moto, desvia do carro, dá um tapa na lateral como que reclamando. E aí, desvia. O carro acelera. Eu acompanhei e lá na
frente aconteceu”.(Álvaro Lima Freitas Júnior).

Confira o resumo das testemunhas de defesa 

Alberi Espindula(perito), começou o depoimento tentando desconstruir a tese de colisão intencional, levantada pelas testemunhas de acusação e pelos peritos do caso. Ele afirma que ensaios de compatibilidade, geralmente, são compatíveis mas não são conclusivos, e diz que não há chance de ter ocorrido da forma que a perícia aponta. Alberi cita, por exemplo, um risco ascendente no carro de Katia, que teria sido feito na colisão com a grade do prédio e não com a moto. Afirma que a perícia não levou em consideração o bagageiro, item que muda a dinâmica do veículo. Diz, também, que na reconstituição do caso usou-se apenas uma pessoa para recompor o cenário, e que isso também muda a percepção sobre o que de fato ocorreu, já que havia duas pessoas na motocicleta.
Após mostrar fotos e vídeos, o perito questiona uma das testemunhas de defesa. Diz que ele não viu o que ocorreu, de fato”.

“No dia do acidente Kátia estava com uma lista de material escolar da filha e foi até a papelaria” Lembrou que quando foi ao hospital visitar a médica, ela disse: “Por que eu fui na papelaria? Kátia parece ter perdido a alegria de viver. Por onde chegava era alegria, doce. Acho que ela nunca mais conseguiu retomar a vida dela depois do acidente. Sempre foi envolvida em projetos sociais, fazendo constantes doações. (Ana Teresa Oliveira Walter, dona da academia de dança frequentada por Kátia).

“Sempre foi meiga, dócil. Na infância, tímida e retraída. Sempre que tinha confusão, ela sempre se retraía mais ainda e chorava…Por telefone, continuávamos tendo bons contatos, principalmente pelo telefone… Nunca presenciei momento de fúria de Kátia. Ela sempre se retraía e chorava. Mãe presente, mãezona, sempre a favor dos filhos…Família estruturada, presente, com muito amor, muito companheira. Criaram os meninos com muito amor, super correta, sempre presente… Ela é amiga, para a hora que precisar. E é a melhor oftalmologista”. (Ivete Perez Colares, amiga).

“Com dois meses, descobrimos que o meu filho tinha glaucoma e doutora Kátia fazia parte dessa equipe, no ano de 1994. Ele ficou uma semana no hospital e ela se apegou ao meu filho. Ele fez a cirurgia e foi aí que eu a conheci. Ela sempre acompanhou meu filho e disse: ‘quando ele crescer, eu quero acompanhar esse menino’. Ela acompanhava e nunca cobrou um real. Ele tinha glaucoma, problema na retina, miopia. Foi muito sufoco, mas arranjou doutor André Castelo Branco, médico oftalmologista, que fez cirurgias sem cobrar um centavo. Agradeço a Deus porque colocou essa pessoa maravilhosa no meu caminho para ele não ter a mesma deficiência que eu. Já foram três cirurgias. Tudo através dessa abençoada dessa doutora Kátia. Sou muito grato por esse anjo que Deus colocou na Terra para que o meu filho não ficasse cego. Não tem a visão 100%, mas consegue olhar pelo espelho, luz, vermelho, definir as coisas graças a essa pessoa”. (Edmilton Pedreira da Silva, amigo).

 

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