Jovem cineasta baiana realiza longa em co-produção entre Brasil, Argentina e França

Multitarefa, a artista assina direção, roteiro, fotografia, e montagem para produzir documentário internacional

Imagine uma Kombi lotada de músicos brasileiros e franceses saindo da Bahia e cruzando a América do Sul, até chegar à Patagônia argentina. Parece ficção? Agora imagine que esse grupo sobreviveu apenas de música durante todo o trajeto. Parece mentira, mas aconteceu de verdade.

Essa aventura verídica é o tema do documentário “Del Sur Pa’l Norte – Kombiphonie” (Do Sul ao Norte), filmado em diversas cidades e paisagens de estradas entre Brasil e Argentina. O longa foi finalizado no segundo semestre de 2017, pela artista soteropolitana, Isbela Faria, e é resultado da parceria com o grupo franco-brasileiro Čao Laru, uma mini-orquestra acústica.

Integrante convidada pelo grupo, Isbela, 25 anos, gravava o processo da turnê, à medida em que também o vivia. A artista foi convidada na turnê para ajudar na produção e divulgação, além de cantar e tocar junto com o grupo. Depois de ter produzido shows deles em Salvador, a ideia de fazer o filme surgiu na própria Kombi, enquanto todos ainda estavam na Bahia.

Eu me animei com a possibilidade de fazer um filme. Achei que uma Kombi lotada cruzando a América Latina através da música seria uma boa história a se contar – se a gente conseguisse chegar lá, é claro, declara a diretora.

O documentário é uma reflexão sobre a produção musical independente, e acompanha o trajeto da turnê em cada etapa da viagem, incluindo a dinâmica de ensaios e surgimento de novas canções, o contato com as pessoas de cada local, e o intercâmbio com estilos musicais sul-americanos, e as soluções encontradas pelo grupo para conseguir viabilizar financeiramente a jornada. Durante o filme, o espectador poderá ver o grupo passar pelas mais diversas situações.

“A gente passou por momentos de aperto, tocou nas ruas para conseguir comprar comida e gasolina, mas também teve momentos de estar tranquilos financeiramente e tocar, por exemplo, no teatro mais antigo das Américas.”, diz a diretora. “Acho que numa viagem é lindo ver como os encontros e paisagens vão revelando um novo universo criado e aprendido na estrada.” E é a abertura gradual deste novo universo que Isbela mostra desde o início do filme, saindo da sua casa em Salvador, e chegando em partes da América do Sul desconhecidas por todos os protagonistas da história.

Para a diretora, a originalidade do trabalho musical e cênico do grupo, que converge estilos musicais tradicionais dos quatro cantos do mundo, junto com a maneira peculiar de sobrevivência e auto-gestão itinerante, são os pontos mais importantes do filme.

O longa metragem foi realizado com apenas uma câmera, um microfone, e um computador para editar. Para conseguir viabilizá-lo, a realizadora baiana assinou todas funções técnicas e artísticas, como direção de fotografia, operação de câmera, captação de som, roteiro e edição. A edição do filme se deu entre Belo Horizonte e São Paulo, enquanto ainda estava com o grupo no final da turnê de volta ao Brasil.

O financiamento do filme contou com o apoio de fãs via crowdfunding de R$ 1.500, que representa uma fração ínfima do orçamento líquido que normalmente seria necessário para um filme como este.

O filme terá sessão única no Panorama Internacional de Cinema, e em Lisboa, Portugal, no MUVI – Festival Internacional de Música no Cinema.

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