Greve dos caminhoneiros trava o estado e até aviões podem ficar no solo; desabastecimento ocorre em toda a Bahia

Mobilização nacional contra a alta de preços dos combustíveis e os impostos cobrados, se alia ao baixo preço dos fretes pago aos caminhoneiros

A greve dos caminhoneiros já pode entrar para a história da categoria, como a maior já realizada no país e com repercussões que começam a preocupar vários setores da economia e à população. Na Bahia, há relatos de problemas em postos de combustíveis que não recebem produtos e são obrigados a fechar as bombas, comerciantes que não recebem mercadorias e até um aeroporto que pode parar de funcionar pois não recebe  combustível para abastecimento dos aviões. Na Feira de São Joaquim, a maior da cidade, alguns boxes estão fechados por falta de mercadorias.

Um  grave problema é com relação ao oxigênio hospitalar. Desde a quarta-feira(23), há informações de que o produto é escasso em hospitais do Oeste e Norte do estado, especialmente em Barreiras e Juazeiro. Mas até o começo desta quinta-feira, não houve notícia de que houve falta do produto em algum ponto. Esse problema ocorre mesmo com o anúncio dos caminhoneiros de que o oxigênio hospitalar está entre as cargas com permissão para seguir viagem nas estradas, não podendo ficar retida em pontos de protesto que estão sendo feitos nas rodovias.

A associação de caminhoneiros completa a informação dizendo que só será permitido o transporte de produtos perecíveis, carga viva e medicamentos. Mas há farmácias informando que alguns medicamentos estão faltando em Salvador e também em alguns estabelecimentos do ramo no interior. Não houve informação, no entanto, sobre o tipo de medicamento.

Imagem comum em rodovias da Bahia nos últimos dias: trânsito totalmente travado por causa da manifestação dos caminhoneiros,

Combustíveis

O protesto dos caminhoneiros começou por causa dos valores cobrados pelo litro dos combustíveis nas bombas de todo o país, em especial do óleo diesel. A reclamação pelo preço alto os protestos que fecharam rodovias em todo o país, em mobilização que teve ampla adesão na Bahia. Estradas de acesso ás refinarias de Candeias e Madre de Deus, na Região Metropolitana, foram bloqueadas pelos caminhoneiros e o resultado foi a falta de abastecimento nos postos de várias cidades.

Também em Salvador, começa a haver preocupação e o sindicato dos donos de postos chega a fazer apelo para que os motoristas só abasteçam o necessário para resolver o colapso total. Em cidades do interior, o combustível começa a falta em vários municípios onde os caminhões não chegam aos postos com o produto. E a escassez leva ao aumento do litro da gasolina, por exemplo, que chega a registra R$ 8,99 o litro, em um posto da cidade de Vitória da Conquista.

Manifestações

A Concessionária Bahia Norte informa que caminhoneiros bloqueiam os dois sentidos da Via Parafuso (BA-535), no km 10 da rodovia, na altura do Atakadão, na manhã desta quinta-feira, 24 de  maio. Apenas veículos de passeio são liberados para trafegar. Equipes da Bahia Norte e da Polícia Militar estão no local.

A maior central de abastecimento da Bahia, Ceasa, na estrada Cia-Aeroporto, está com abastecimento comprometido. De lá saem produtos para diversos pontos de Salvador. Frutas, verduras e outros alimentos que abastecem, especialmente, feiras livres e mercadinhos deixam de ser distribuídos por vários comerciantes. O problema é que esses produtos não conseguem chegar do interior. É possível sentir esse problemas em mercadinhos de bairros que são abastecidos pelo que vem da Ceasa.

Em Barreiras, região Oeste, também há graves problemas de abastecimento.  Pelo município, passa a BR 242, uma das mais importantes rotas de acesso a estados vizinhos à Bahia e ponto importante de entrada de produtos que abastecem a população. Nas feiras livres, vários produtos começam a faltar. Frutas e verduras não chegam, também, a diversos supermercados daquela região.

O abastecimento de aeronaves está ameaçado em diversos aeroportos do estado. O mais afetado pela falta de acesso dos caminhões tanque é o aeroporto Jorge Amado, no bairro Pontal, em Ilhéus. De acordo com as informações, a reserva no local dá para o abastecimento de aeronaves apenas para os próximos dois dias naquela cidade. Se a situação não for resolvida, é possível que só sejam autorizadas a pousar naquele aeroporto, aeronaves que não necessitem reabastecer.

Aqui em Salvador, não há relato de problemas no aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães, onde, de acordo com as informações, há boa reserva. Mas não houve notícia, ainda, do tempo em que o aeroporto poderá suportar sem ser reabastecido com gasolina de aviação e o querosene usado em jatos.

Em postos de abastecimento nas ruas de Salvador, o movimento não mudou desde que a greve começou. Os preços estão em torno de R$ 4,37 por litro. De acordo com uma emissora de TV que falou do local ao vivo na manhã desta quinta-feira do local, postos da Avenida Paralela podem fechar até o fim do dia por falta de gasolina e álcool, pois não há reabastecimento há dois dias.

Reunião

Uma nova reunião entre governo federal e representantes dos transportadores está marcada para a tarde desta quinta-feira, no Palácio do Planalto, em Brasília “Se até sexta-feira não acontecer nada, aí lamentavelmente vai parar tudo. Não vai funcionar mais nada”, assegurou Fonseca Lopes, presidente da ABCam, entidade que, segundo ele, representa cerca de 700 mil caminhoneiros, 60 sindicatos e 7 federações.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou na noite de ontem(23), uma redução de 10% no valor do diesel nas refinarias por 15 dias. A decisão, segundo ele, busca contribuir com uma possível trégua no movimento dos caminhoneiros, que estão paradas nas estradas há três dias contra preço do combustível. Com a decisão, o governo espera conseguir negociar com o movimento dos caminhoneiros, que hoje atinge o quarto dia de greve, paralisando o abastecimento de vários setores no país. Os caminhoneiros se queixam do preço final do diesel.

Na prática, a Petrobras avalia que a redução média será de R$ 0,23 por litro nas refinarias, resultando numa queda média de R$ 0,25 por litro nas bombas dos postos de combustível. A diminuição do preço deve ser maior para o consumidor, porque o imposto incidente acabará sendo menor. A medida vale apenas para o diesel e começa a valer a partir de amanhã (24). O custo do combustível nas refinarias será de R$ 2,1016, valor fixado para os próximos 15 dias. Ao fim do período, a tarifa será corrigida de forma progressiva até voltar a operar de acordo com a política de preços adotada pela estatal.

A reunião entre o governo federal e representantes dos caminhoneiros, na quinta-feira, terminou sem acordo e a paralisação da categoria continua em todo o país. Foi o primeiro encontro desde o início da greve, na segunda-feira (21). Os transportadores autônomos reivindicam a isenção total dos impostos federais que incidem sobre os combustíveis para encerrar a paralisação.

“O grande problema que o país está atravessando, não só com o caminhoneiro, é o problema do combustível. Tá muito caro, aumenta a cada dia. No caso do transportador autônomo, tem que tirar os penduricalhos, que são o PIS/Cofins e a Cide [impostos]”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCam), José da Fonseca Lopes em coletiva de imprensa após a reunião com o governo. O governo chegou a pedir uma trégua de três dias aos caminhoneiros, mas o prazo acordado foi até a esta sexta-feira(25), sem interrupção do movimento.

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