Fechamento da Fafen na Bahia pode causar graves problemas à vida de pacientes que precisam de hemodiálise; entenda

Sindipetro afirma que quem depende de alguns produtos para tratar do doenças renais, pode até morrer caso a fábrica seja desativada

A insistência do governo federal em fechar as Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (FAFEN’s) da Petrobrás pode levar à morte milhares de pacientes com problemas renais e que necessitam da hemodiálise para sobreviver. O alerta extremo é do Sindicato dos Petroleiros da Bahia(Sindipetro), quando avalia o impacto do fechamento com a produção de bicarbonato de sódio para uso farmacêutico.

A desativação das atividades da FAFEN na Bahia vem sendo motivos de protestos desde que a notícia foi divulgada e o #AgoraNaBahia vem acompanhando a repercussão. O assunto já foi discutido em sessão especial da Câmara dos Deputados, em Salvador, no mês de maio.

De acordo com a assessoria do sindicato, o problema é que o fechamento da FAFEN Bahia atinge diretamente a Carbonor S.A, situada no Polo Petroquímico de Camaçari, única detentora de tecnologia de produção de bicarbonato de sódio para uso farmacêutico e em especial para hemodiálise no Brasil, atendendo também a outros países na América do Sul.

A Carbonor utiliza dióxido de carbono(CO2) na forma gasosa, recebido por tubovia da unidade da FAFEN-BA, para a produção de bicarbonato de sódio. O CO2 é uma das matérias primas do processo de fabricação e, portanto, indispensável na sua síntese.

Segundo a Carbonor, para tornar viável a utilização de CO2 gasoso é necessária uma fonte próxima à unidade processadora. Por essa razão, as duas empresas – FAFEN e Carbonor – estão localizadas no mesmo complexo industrial.

Ainda de acordo com a Carbonor, “para garantir custos que viabilizem a produção e permitam a prática de preços competitivos no mercado de bicarbonato de sódio, não é possível a utilização de CO2 liquefeito, em função dos seus altos custos de processamento e transporte e, consequentemente, elevado preço de aquisição”.

O diretor industrial da Carbonor, Ascânio Muniz Pêpe, se mostra preocupado com a situação. Para ele, o fechamento da FAFEN, que produz insumos utilizados por diversas outras empresas, é um assunto muito complexo e que não pode ser decidido de forma tão rápida. “Para nós a melhor opção é que a FAFEN continue operando, mas se isto não for possível, que haja discussão com os interessados sobre o assunto e que se dê um prazo maior para que as empresas busquem alternativas para se reestruturar e suprir a ausência da FAFEN”.

Segundo ele, as empresas que necessitam da Ureia e Amônia também vão ter sérios problemas, mas nada comparado com o que pode acontecer com a Carbonor. Para se ter ideia, informa Pêpe, “o Brasil só importa menos de 10% de bicarbonato de sódio e a Carbonor tem capacidade para produzir mais de 80% da demanda nacional.

Soberania alimentar

Além dos empresários, representantes dos poderes executivo e legislativo e a sociedade já externaram preocupação com as consequências negativas (perda de empregos e receitas) que vão ser provocadas com o fechamento das Fábricas de Fertilizantes da Petrobrás para os estados e municípios, particularmente da Bahia e Sergipe.

O Sindipetro Bahia já organizou diversas audiências públicas, aqui no estado e em Brasília, para tratar sobre o assunto, conseguindo que a Petrobrás adiasse para 31 de outubro deste ano a decisão de fechar as duas fábricas, localizadas no Polo Industrial de Camaçari e em Laranjeiras.

O coordenador do Sindipetro Bahia, Deyvid Bacelar, adverte que “os fertilizantes são insumos essenciais à produção agrícola, sendo necessário tratar sua produção como questão de Segurança Nacional”.

Para ele, “além desta questão muito delicada que envolve a vida das pessoas que necessitam da hemodiálise, a parada da FAFEN-BA e das demais Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados do país, coloca em risco também a nossa Soberania Alimentar e o Agronegócio, uma vez que a produção agrícola passará a depender totalmente da importação de fertilizantes”.

Para Bacelar, a decisão da atual gestão da Petrobrás não faz sentido, “afinal, o segmento de fertilizantes encontra-se em expansão tanto no Brasil quanto no mundo e a demanda do mercado brasileiro de fertilizantes é maior que a produção nacional”.

Fafen

Conhecida como a “semente do Polo”, a FAFEN-BA foi a primeira fábrica de ureia do Brasil e teve suas operações iniciadas em 1971. A fábrica é responsável pela produção de 474 mil toneladas/ano de ureia, 474 mil toneladas/ano de amônia e 60 mil toneladas/ano de gás carbônico, tendo os dois primeiros, importância fundamental no desenvolvimento da agricultura e da pecuária no Brasil.

Os produtos da fábrica são utilizados como matéria-prima em outras empresas do Polo Petroquímico. A amônia é necessária para a produção da OXITENO, ACRINOR, PROQUIGEL, IPC DO NORDESTE e PVC; já a ureia é utilizada na HERINGER, FERTPAR, YARA, MASAIC, CIBRAFERTIL, USIQUIMICA e ADUBOS ARAGUAIA; o gás carbônico, na CARBONOR, IPC e White Martins.

Com a paralisação das atividades da FAFEN-BA, 700 postos diretos de trabalho serão fechados e haverá impactos em toda cadeia produtiva do setor, o que pode aumentar o número de desempregos.

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