Deusa do Ébano 2018 do Ilê Aiyê é escolhida com muita festa

Jéssica Nascimento, a nova Deusa do Ébano(Foto: Odu Comunicação/Divulgação)

Jéssica Almeida Nascimento dos Santos, 19 anos, foi a vencedora da 39ª edição da Noite da Beleza Negra, realizada no sábado(20), na Senzala do Barro Preto, em Salvador. Ela concorreu com outras 15 candidatas ao título de Deusa do Ébano.

Com casa lotada e uma plateia entusiasmada, o maior concurso de beleza e exaltação da mulher negra do Brasil teve show de encerramento do pop-funk carioca Dream Team do Passinho.

A direção artística do espetáculo foi de Elísio Lopes Jr e o júri apresentou a psicóloga e ativista Mafoane Odara. “Precisamos de mulheres reais, como a Jéssica, com sonhos e vidas reais. Com aspirações que façam outras meninas a quererem ser o que elas são. A Deusa do Ébano é a história que muitas meninas precisam para mudar suas histórias”, revela Mafoane.

Na escolha difícil das vencedoras, também estavam a atriz ​​Giovanna Ewbank que, ao lado do ator Bruno Gagliasso, vem lutando contra o preconceito acerca da sua filha Titi; a jornalista e estudiosa Silvana Oliveira; as coreografas Nildinha Fonseca e Edeise Gomes; o professor doutor Carlos Benedito; e o Diretor e Vice-Presidente do Ilê Aiyê, Aliomar Almeida.

Entre os fãs do Ilê que prestigiaram o evento estavam a apresentadora Regina Casé, acompanhada do marido e filha, e Caetano Veloso, que anualmente marcam presença no Curuzu, além do comediante Luiz Miranda, da cantora Liniker, dos atores Bruno Mazzeo, Fabiola Nascimento, Fabrício Boliveira, João Miguel, Thalita Carauta, Zé Manuel, Emanuelle Araújo, do blogueiro John Drops, Tia Má, além da dupla Sulivã Bispo e Thiago Almasy e de diversos políticos baianos.

A Deusa e as Princesas

Aos 11 anos, Jéssica esteve pela primeira vez na Noite da Beleza Negra e desde de então já avisava aos seus pais: “Eu quero ser uma Deusa”. Foi o que aconteceu. Aos 19 anos, em sua primeira participação, a moradora do Cabula cativou todos os jurados e, por unanimidade, foi declarada a Deusa do Ébano de 2018. “Desde que passei na seletiva, que foi uma coisa inacreditável para mim, eu já me sentia Deusa. Quando eu cheguei no palco, que eu vi o público e senti aquela energia, foi mágico. Só no Ilê a gente consegue ser o que a gente quer”, revela.

Questionada sobre o que ela espera deste ano, Jéssica não esconde a alegria. “É uma felicidade muito grande, mas ao mesmo tempo é uma responsabilidade imensa. Agora sou um símbolo de representatividade. Vou levar o nome do Ilê Aiyê comigo, para o meu bairro, para as crianças, para todas as mulheres negras”, completa.

A Deusa e as princesas, em noite de glamour na Senzala do Barro Preto(Foto: Odu Comunicação/Divulgação)

Ganhadoras dos segundo e terceiro lugares, eleitas Princesas do Ilê Aiyê, Milena Sampaio Nascimento, 33 anos, e Lorena Matos dos Santos, 20 anos, respectivamente, destacaram a importância na transformação social e no empoderamento da mulher que o concurso promove. “Estamos aqui para representar todas as negras, a nossa ancestralidade e o amor ao Ilê”, revelou Lorena, já ansiosa para desfile do Carnaval.

Já para a arte educadora Milena, que participa pela quinta vez do concurso, esse título significa “entender que eu tenho o potencial de fazer a transformação política e social através do bloco”.

Senzala

Foram muitos os momentos de emoção vividos por todos que estavam na Sensala, na Noite da Beleza. Música, teatro e dança se alternaram para reverenciar o grande homenageado da noite, Nelson Mandela, que inspira o tema do Carnaval do Ilê Aiyê este ano, “Mandela. A Azânia celebra o centenário de seu Madiba”.

Diferentes performances fizeram referência aos pontos críticos na realidade social brasileira, como o respeito à diversidade sexual e combate à corrupção, abordagens levadas ao palco, com participações do cantor e compositor Mateus Aleluia, dos atores David Jr. e Hilton Cobrinha e da transformista Divina Valéria​. As coreografias do Ilê apresentadas durante o espetáculo, foram assinadas pela Rainha do Bloco em 2009, Edilene Alves.

Fechando com chave de ouro, o Dream Team do Passinho tirou o fôlego da plateia. Toda a arte, estilo, ousadia e irreverência da favela invadiu o palco da Senzala do Barro Preto com o grupo de pop funk carioca formado por Lellêzinha, Diogo Breguete, Hiltinho, Pablinho e Rafael Mike. O Dream Team abriu o show com ao lado da Banda do Ilê Aiyê, promovendo um encontro entre a favela da Bahia e do Rio de Janeiro ao cantar a canção Refavela de Gilberto Gil.

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