De dentro da prisão domiciliar, deputado Prisco fala de mágoas, depressão e critica o Estado

Em entrevista exclusiva, o ex-PM diz que a prisão é injusta e ele não sabe o tempo da pena que cumpre

Prisco, em prisão domiciliar, recebe o #AgoraNaBahia para longa entrevista(Foto: #AnB)

De uma agenda sempre lotada de contatos com centrais sindicais, assembleias, reuniões com militares, audiências para resolver questões legais ao isolamento e quase silêncio. O deputado Soldado Prisco, baiano da cidade de Catu, policial militar demitido pelo Governo do Estado vive hoje o misto de poder e ostracismo.

Eleito deputado estadual graças à maioria dos votos vindos da corporação na qual ingressou há exatos 20 anos, Marco Prisco Caldas Machado revela que tem passado momentos complicados na sua vida, ainda que tenha, aparentemente, prerrogativas por causa da sua posição política. Mas é um poder político que não passa do ambiente da Assembleia Legislativa da Bahia.

O deputado cumpre prisão domiciliar em Salvador, depois de ter experimentado a vida em uma cela “do tamanho de uma cama de solteiro” na Cadeia Pública de Salvador, sendo lá, obrigado a conviver com outros presos envolvidos em crimes hediondos. “Tinha gente de várias facções e até o diretor do presídio teve que intervir para que eu não fosse morto”, revela Prisco.

Mas as lembranças ruins não ficaram apenas no Complexo da Mata Escura. O tempo em que passou na Penitenciária da Papuda, em Brasília, o faz dizer que “não deseja aquela prisão para o pior inimigo”, ressaltando que a sua condição de evangélico o faz tirar proveito de todos esses momentos para refletir bastante sobre a vida e o que vem pela frente. “Vivo da fé e tenho certeza de que serei vencedor”, brada o deputado, sempre citando trechos bíblicos.

A vida de Prisco mudou desde que ele, ainda militar da ativa, liderou uma greve geral em 2001, com ampla repercussão em todo o estado. Depois de afastado da corporação pelo estado, Prisco seguiu a sua vida sindical e entrou na política, sendo eleito vereador. Hoje ele se diz injustiçado e se autodenomina o “único preso político do país, atualmente”, alegando que não tem nenhuma condenação e a pena estabelecida não tem prazo. A base de tudo, de acordo com ele, é a Lei de Segurança Nacional que ele teria infringido com os movimentos que liderou à frente dos policiais militares.

O #AgorNaBahia conversou com Prisco durante a prisão domiciliar, em um apartamento que ele alugou na Avenida Paralela, perto da Assembleia Legislativa para facilitar o cumprimento da pena. Ele não usa tornozeleira eletrônica pois não há essa tecnologia na Bahia, mas é obrigado a permanecer o tempo inteiro com o “localizador” do telefone celular ligado. Além disso, o condomínio onde mora é cheio de câmeras que monitoram todos os horários de entrada e saída do deputado. E ele garante que sempre é fiscalizado. “Eles vêm sempre aqui ver as imagens para conferir se estou cumprindo tudo”, afirma.

Entre as medidas cautelares estabelecidas pela justiça estão: a) “Recolhimento domiciliar no período noturno (entre 18 horas e 6 horas) e nos dias de folga e a atividade termine às 18 horas, o réu poderá concluir suas atividades parlamentares, recolhendo-se imediatamente na sequência; b) proibição de ausentar-se da Comarca de Salvador sem autorização judicial; c) afastamento da Diretoria da Aspra ou qualquer outra Associação de Policiais Militares que porventura faça parte; d) proibição de frequência ou acesso a quartéis ou outros estabelecimentos militares, bem como à Aspra ou qualquer ou outra Associação de Policiais Militares; e) proibição de manter contato com Diretores da Aspra ou qualquer outra Associação de Policiais Militares; f) proibição de participar de assembleia/movimento promovido pela Aspra ou qualquer outra Associação de Policiais Militares; g) monitoração eletrônica.

Com aparência abatida, triste e algumas vezes interrompendo a entrevista para ofegar, aparentando cansaço, Prisco respondeu a todas as perguntas e revelou tristeza pela flta de espaço na imprensa. Disse ainda que pretende escrever um livro e gravar um documentário contando detalhes da sua trajetória de luta pela classe que valeu até o afastamento do convívio com a sua família – mulher e dois filhos – que vivem no interior para onde ele não tem autorização de viajar.

Segundo o deputado, esta é a primeira entrevista, em vídeo, sobre o que vem ocorrendo com a vida dele.

Confira a entrevista completa, clicando aqui.

SEM COMENTÁRIOS