Conheça detalhes da ação da Polícia Federal na Operação Lava Jato realizada em quatro cidades da Bahia; executivos vão para a cadeia

De acordo com as investigações, OAS e Odebrecht estão envolvidas em operação que provocou prejuízo de R$ 68.295.866

Uma entrevista coletiva realizada em Curitiba, Paraná, por delegados da Polícia Federal e representantes do Ministério Público, informou detalhes sobre a 56ª fase da Operação Lava Jato, realizada desde as primeiras horas desta sexta-feira(23), em alguns estados, incluindo a Bahia. Aqui, os agentes cumpriram mandados de prisão e busca e apreensão em Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari e Simões Filho. Os nomes dos envolvidos ainda não foram informados. (Veja a entrevista coletiva com detalhes da operação)

A operação, segundo a PF, apura o superfaturamento na construção da sede da Petrobras, no bairro Itaigara, em Salvador. Ao todo, há 33 mandados de prisão. Inicialmente, a PF havia informado que eram 22. Corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta de fundo de pensão, lavagem de dinheiro e organização criminosa estão entre os crimes investigados nesta fase.

Esta nova etapa foi autorizada pela juíza substituta Gabriela Hardt e por Sérgio Moro, quando este ainda não havia sido nomeado ministro do futuro governo Bolsonaro. A autorização dos juízes ocorre depois de o Ministério Público Federal(MPF) pedir à Justiça permissão para que os mandados sejam executados. Com a ida de Moro para o Ministério da Justiça, Gabriela Hardt ficará à frente da Operação Lava Jato até 30 de abril de 2019.

Conforme a PF, também houve superfaturamento nos contratos de gerenciamento da construção, de elaboração de projetos de arquitetura e de engenharia. Marice Correa, cunhada do ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, é uma das pessoas presas em São Paulo. A prisão dela é temporária.

Mario Cesar Suarez, da OAS, foi preso preventivamente na capital baiana. Já Wagner Pinheiro Oliveira, ex-presidente da Petros e Correios, foi alvo de busca e apreensão no Rio de Janeiro. A PF ainda não divulgou o nome dos outros alvos. Os presos preventivos vão ser levados para a sede da Polícia Federal em Curitiba.

O nome da sede da Petrobras, em Salvador, é Torre Pituba. O prédio foi construído pela OAS e pela Odebrecht – ambas já investigadas anteriormente pela Lava Jato. As duas empreiteiras distribuíram vantagens indevidas de, pelo menos, R$ 68.295.866 que representam quase 10% do valor da obra, segundo o MPF.

Os valores eram direcionados, segundo o PF, para viabilizar o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos da Petrobras, do PT e dirigentes da Petros. O esquema de contratações fraudulentas e pagamentos de vantagens indevidas aconteceu entre 2009 a 2016, de acordo com o MPF.

Em resumo, de acordo com a PF, o Fundo Petrobras de Seguridade Social – Petros, mediante parceria com a Petrobras, investiu na execução da obra para alugar o prédio à empresa estatal por 30 anos.

Ainda conforme a PF, porém, com o direcionamento da execução das obras para uma empresa ligada e outras duas empreiteiras já conhecidas da Lava Jato, o valor da execução ficou muito acima do que deveria, assim como o valor de aluguel a ser pago.

Diante disso, ainda conforme a Polícia Federal, os investigados direcionavam parte dos valores obtidos para o pagamento das propinas, ocultando e dissimulando a origem deles. As penas somadas podem chegar ao total de 50 anos de prisão e multa.

Para embasar as ordens judicias, as investigações levaram em conta a quebra de sigilo de dados bancários, fiscais, telemáticos e telefônicos que comprovaram as afirmações dos colaboradores, além de documentos vindos de cooperação jurídica internacional.

Além disso, diligências realizadas mostraram a utilização de dinheiro em espécie por parte dos beneficiários finais do esquema, mediante depósitos estruturados e compra de bens valiosos – alguns não declarados à Receita Federal.

Esta fase da operação foi batizada de “Sem Fundos” por conta da perda do Fundo de Pensão da Petrobras e pelo fato de os crimes investigados parecerem revelar um “saco sem fundos”.

Com informações do G1

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